Pés-vermelhos - romance - David Gonçalves



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David Gonçalves


Relato vivo, múltiplo e caótico da colonização das terras roxas do Norte do Paraná. Migrantes e imigrantes se misturam numa saga pujante. O laboratório étnico em ação, temperado com paixões desenfreadas, cobiça, crendices, pactos macabros, surrealismo, mas impregnado de calor humano.

De 1940 a 1980, da selva à civilização, as terras roxas conhecem o progresso veloz e imperativo. O El dourado do café. Pequenas cidades se tornam metrópoles. O dinheiro fala e manda calar a boca. O ouro verde. Os pés-vermelhos estavam por cima. Queriam mais. Palmo de terra valia ouro. Especulava-se. Matava-se. Multiplicava-se.

Então, a geada negra chegou, dizimando os cafezais. A falência das elites. Deu-se o início ao êxodo rural. Os boias-frias nos caminhões de lona, empoeirados, sem esperança. As cidades médias e grandes viram as periferias incharem.

Neste mundo caótico e comovente, as personagens se movem com suas paixões e voracidade, espelho vivo da América Latina.

Pés-vermelhos - romance / David Gonçalves - Joinville/SC

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O novo romance de David Gonçalves, uma saga pujante, épica, como o "Sangue verde "




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Pensamento + Horizontal

Pensamento

Meu pensamento é rio.
Ora de águas claras,
Ora de águas turvas,
Ora remanso,
Sossego, descanso.
Ora caudaloso,
Inquieto, buliçoso.

Meu pensamento é rio.
Ora atira-se nas barrancas,
Ruge, grita e assusta,
Ora lambe suas margens,
Sussurra, beija e acalanta.

Meu pensamento é rio.
Ora passeia raso,
Enfeitado de seixos coloridos,
Ora fecha-se profundo,
 De sombras mostra-se tingido.

Meu pensamento é rio.
Ora desce tranquilo,
Ora carrega flores,
Ora corre furioso,
Ora impiedoso destruidor
dos sonhos que fantasio.

Meu pensamento é rio.
Ora águas mornas,
Ora águas gélidas,
Ora claro,
Ora escuro.

Como entender este rio?

Odenilde Nogueira Martins - 01/10/2015



Horizontal

Ah! Esta vida na horizontal,
Tão sem charme, tão tediosa, tão igual!
Na inércia do tempo que corre,
Melhor ser folha solta,
E o vento a chibata bondosa
Que de leve chega e açoita,
Faz rolar por entre as pedras,
Sobre o chão úmido,
Por terras tantas!
Folha se faz,
Encharcada, pela chuva perfumosa.

No correr das horas modorrentas,
Levada como um raminho,
Sentindo o fim que se aproxima,
E antes que limo se crie,
Possa ter, finalmente!
O repouso... Em ninho de passarinho.

Odenilde Nogueira Martins


Volátil

Volátil

Desprezo a gélida ação pragmática
Que tira o gosto do pulso acelerado,
Enfadonha...
Sistemática.

Encanta-me o volátil,
Maravilhosamente instável. Que voa!
Nascida de um impulso,
A palavra imperfeita e bêbada,
Vomitada em versos convulsos.

Enfada-me a palavra unívoca e fria
Das verdades absurdamente dogmáticas,
Trazida em certeza inequívoca
Ostensiva, enfadonha e vazia.

Seduz-me a palavra enigmática,
Que maior do que eu,
Mostra-me toda,
Mostra-me nada!
Em disfarces e fingimentos
Permite alegorias mil,

Dos múltiplos e secretos sentimentos.

Odenilde Nogueira Martins

Retirante

Retirante

Retirante de mim,
Submersa em profundezas
E labirintos de limo escorregadio,
Garimpando memórias na desordem do caos,
De pecados tantos! Já extintos!

Afogada em enxurradas de paixões,
 Angústias,
 Tormentos,
Alegrias...
 Delicias em chuviscos.

Noites frias,
Noites escuras,
Noites de lua,
      Airosas madrugadas.         

Retirante do mundo,
Trajetórias feitas de alarido,
Confusos rabiscos,
Daquilo que foi e podia ter sido.
No cálice, de puro cristal, bebida doce,
Na boca, o gosto do fel bebido.


Odenilde Nogueira Martins – 01/11/2015

Simplicidade

Simplicidade

Singela é a branca margarida,
em longo pedúnculo unitária
que encimada em receptáculo cônico
ao sabor dos ventos dança solitária.

Tem a leveza da simplicidade
De rebuscamento inútil, se faz toda nua
Como minha palavra sem vaidade,

tão simples, tão bela... Tão minha e tão tua.

Odenilde Nogueira Martins

Agenda cultural

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